Bebê com má formação no cérebro aguarda vaga para exame em SP: 'Desespero grande'
A família de Lorenzo Barbosa Lemos, de apenas dois meses de idade, está há três semanas atrás de soluções para um problema de saúde que vem causando convulsões no bebê. Sem um diagnóstico fechado, ele está internado há oito dias em um hospital de Praia Grande, no litoral de São Paulo, aguardando por um exame que pode apontar qual é sua condição médica.
Lorenzo nasceu no dia 3 de julho e, pouco tempo depois, iniciou suas idas e vindas aos hospitais. Tudo começou com uma infecção no ouvido, que o levou a ficar internado em uma unidade de saúde de Cubatão (SP). Na data, os médicos apontaram otite e hidrocefalia. Além disso, uma tomografia apontou ventriculomegalia, que é uma pequena dilatação simétrica dos ventrículos laterais. Agora, a família aguarda a ressonância, que fornecerá mais detalhes sobre a condição do bebê.
O bebê foi medicado, teve alta e a mãe, Maria José Oliveira Barbosa, de 35 anos, recebeu encaminhamento ambulatorial para a neurocirurgia. Mas, voltando para casa, ela notou que o filho continuava muito agitado e, dias depois, retornou ao hospital com crises convulsivas. "Fizeram vários exames e deram alta novamente. Me disseram que ele tinha uma má formação no cérebro e nos deram um encaminhamento para um centro de especialidades".
Como Lorenzo continuou tendo convulsões, Maria José o levou pela terceira vez à mesma unidade de saúde no dia 20 de agosto. Mãe e filho saíram de lá no dia seguinte e, como o problema não parou, ela decidiu levá-lo ao Hospital Irmã Dulce, no dia 23 de agosto, para uma segunda opinião.
"Fui muito bem atendida, medicaram o meu filho, fizeram novos exames e o internaram. Os médicos pediram uma ressonância para confirmar o diagnóstico e decidirem o melhor tratamento. Mas, já estamos aqui há oito dias e até agora nada. Falaram que temos que aguardar aqui dentro, senão perdemos a vaga para o exame. Pelo que me falaram, não tem especialista para o caso dele aqui e estão vendo onde tem vaga pelo Cross".
Maria José está desesperada e tudo que ela deseja é que Lorenzo faça esse exame o quanto antes, para conseguir o tratamento correto. Em menos de um mês, o pequeno já teve, pelo menos, 15 convulsões. Para piorar, ela não pode deixar o hospital e teme que os dois estejam expostos ao contágio pelo novo coronavírus.
"Eu fico aqui e ninguém dá resposta de nada, não tem previsão. É um desespero muito grande. Tenho medo de agravar a situação e acontecer o pior com o meu filho. Ele é muito frágil. Tem horas que eu choro, sem saber o que fazer, é muito triste. É uma corrida contra o tempo. Tudo que eu quero é um tratamento adequado e poder levá-lo para casa", finaliza a mãe.
Ventriculomegalia
O obstetra e professor do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes) Gerson Aranha explica que a ventriculomegalia é uma condição relativamente comum, que pode ocorrer por distúrbios genéticos cromossômicos ou infecções. De acordo com ele, a dilatação dos ventrículos pode causar convulsões.
"Em recém-nascidos, a Pediatria realiza diversos exames, como USG cerebral, ressonância magnética e avaliações genética e infecciosa do bebê. Como ele já está com dois meses, a ressonância é o procedimento de excelência nessa fase. O diagnóstico deve ser muito bem definido", explica o obstetra.
A neurocirurgiã Erika Tavares explica que a condição clínica pode ser diagnosticada já no pré-natal. Em algumas crianças, o líquido do cérebro acumula dentro do ventrículo, o que o faz aumentar de tamanho. O médico deve avaliar por que esse ventrículo está aumentado, pois existem diversas doenças que podem causar isso.
"Quando tem uma ventriculomegalia leve, não necessariamente significa uma doença. Mas, se for de moderada a grave, tem que avaliar se é uma hidrocefalia, o que muda totalmente de figura. A hidrocefalia é quando tem o aumento dos ventrículos, porém, pode causar pressão intracraniana aumentada".
Ela ainda explica que a ventriculomegalia acontece em vários bebês. O tratamento vai depender se alguma doença está causando essa condição. "Se a criança tem uma má formação de uma parte do cérebro, o tratamento deve ser clínico. A ressonância dá muito mais detalhes para identificar a causa do ventrículo estar aumentado e, assim, fazer o tratamento correto".
Hospital
Em nota, a direção do Hospital Municipal Irmã Dulce esclarece que o paciente encontra-se internado e devidamente assistido na unidade. O paciente já foi inserido na Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) para realização de exame de ressonância magnética com sedação em serviço de referência. É fundamental ressaltar que a liberação destas vagas via Cross não depende do Hospital Irmã Dulce, e sim de sua disponibilidade por parte dos respectivos serviços de saúde.
Em nota, a Secretaria do Estado de Saúde, por meio do Núcleo de Regulação do Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista, informa que o exame do bebê já está agendado para esta quinta-feira (3), e que o Hospital Irmã Dulce está ciente.
Fonte: G1
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